Analista da Receita nega participar de suposto esquema de venda de sigilo fiscal

A analista tributária Antonia Aparecida Rodrigues dos Santos Neves Silva negou na noite de sexta-feira (27) fazer parte de qualquer grupo que venda informação de contribuintes e afirmou “desconhecer” o fato de que uma de suas senhas tenha sido utilizada irregularmente.

Ela é uma das três servidoras investigada pela Receita Federal por suposto acesso ilegal aos dados de imposto renda do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de outros tucanos.

“Nego veementemente meu envolvimento em qualquer tipo de esquema e reafirmo que não acessei irregularmente os dados fiscais de nenhum dos contribuintes citados”, afirmou a servidora por meio de nota divulgada pelo Sindireceita (Sindicato Nacional das Carreiras de Auditoria da Receita Federal do Brasil).

A analista afirmou que colabora com a investigação e que abre seus sigilos bancário e telefônico. Antonia disse ainda que “desconhecia” até o momento da abertura do processo disciplinar que uma de suas senhas tivesse sido utilizada “irregularmente” para acessar os dados fiscais dos contribuintes.

Na nota, a servidora diz que uma de suas senhas era compartilhada “única e exclusivamente em função do volume de trabalho” e que nunca foi filiada a partidos políticos.

Em junho, a Folha revelou que o IR do político constava de dossiê montado pelo “grupo de inteligência” que atuou na pré-campanha da petista Dilma Rousseff.

Investigação da Receita descobriu que foram feitos ao menos cinco acessos ao imposto de renda de Eduardo Jorge, mas apenas a consulta atribuída a Antonia Aparecida ocorreu sem “motivação”, ou seja, fora de procedimentos de rotina do fisco e sem autorização judicial.

Antonia é funcionária do fisco desde 1995. Era chefe do escritório do órgão em Mauá (SP), mas foi exonerada do cargo no dia 8 de julho, uma semana depois de passar a ser formalmente investigada pela Corregedoria.

O fisco também investiga a possibilidade de a senha de Antonia ter sido usada por outro funcionário sem o consentimento dela.

OUTROS ACESSOS

Além de Eduardo Jorge, servidores da Receita imprimiram sem motivação profissional também as declarações de Imposto de Renda do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, do ex-diretor da Previ Ricardo Sérgio e de Gregorio Marin Preciado, primo de Serra.

As informações fiscais dos três tucanos foram acessadas nos terminais de três funcionárias da agência do fisco em Mauá (SP), mesmo local de onde foram retiradas as cópias das declarações de EJ.

Antonia Aparecida Neves Silva, Adeilda Ferreira dos Santos e Ana Maria Cano são as principais suspeitas da violação do sigilo fiscal dos dirigentes tucanos.

A oposição vai ingressar na Justiça Eleitoral com uma ação contra a candidata do PT ao Planalto, Dilma Rousseff (PT), por considerar sua campanha foi responsável pela quebra de sigilo. DEM, PSDB e PPS acusam Dilma de crime eleitoral, uma vez que os dados fiscais dos tucanos seriam usados em um dossiê montado pelo grupo que atuou na pré-campanha da petista.

Fonte: Folha de São Paulo

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