Analista do fisco diz que deu senha a colega

Investigada por violação de sigilo de dirigente tucano afirma que precisou de ajuda por excesso de trabalho
Declarações de que as senhas eram tratadas com desleixo podem dificultar a apuração de culpados no caso EJ

ANDRÉA MICHAEL
DE SÃO PAULO

Investigada por acessar sem motivação o sigilo fiscal do dirigente tucano Eduardo Jorge, a analista tributária Antonia Aparecida Rodrigues dos Santos Silva afirmou em depoimento ter entregue sua senha a pelo menos duas colegas do escritório de Mauá (SP) do Fisco.
No depoimento, ao qual a Folha teve acesso, Antonia disse ter compartilhado os dados confidencias para que as colegas a ajudassem, devido ao excesso de trabalho.
Adeilda Ferreira, dona da máquina em que foi acessando o IR do tucano, e Ana Maria Caroto confirmaram ter recebido da colega a senha -com a qual têm acesso a dados de contribuintes.
RASCUNHO
Adeilda afirmou que deixou um papel com a senha da colega em cima de um bloco do tipo “risque rabisque”, para rascunhos, em tese ao alcance de outros servidores.
Também afirmou que a senha foi anotada em uma agenda deixada sobre sua mesa de trabalho.
As declarações de que as senhas eram tratadas com desleixo podem dificultar a conclusão das investigações internas do Fisco e a apuração de responsáveis.
Em junho, a Folha revelou que cópia do Imposto de Renda do político constava de dossiê montado pelo “grupo de inteligência” que atuou na pré-campanha da petista Dilma Rousseff.
O sindicato da categoria, responsável pela defesa de Antonia, disse que reafirma sua confiança nela, que nega a quebra do sigilo.
Marcelo Panzardi, advogado de Adeilda, afirmou que a “a vulnerabilidade é do sistema, e se transforma numa falha que também coloca o servidor sob suspeita”.
O advogado de Ana Maria Caroto não foi localizado.

Sindicato diz ter confiança em servidora

DE SÃO PAULO

O Sindireceita, que representa a categoria dos servidores da Receita Federal, disse que reafirma sua confiança nas declarações da servidora Antonia Aparecida Rodrigues dos Santos Silva.
“Haverá o momento, depois de respeitados os ritos da lei, em que ficará provada a versão relatada por ela”, disse a advogada Maria Carolina Santos, que juntamente com o colega Rafael Nobre Luiz acompanha a causa por designação do sindicato da categoria, o Sinreceita.
“Minha cliente tem 27 anos de carreira irreprensível”, diz Marcelo Panzardi, advogado de Adeildda dos Santos.
E continua: “Quero chamar a atenção: a vulnerabilidade é do sistema, e se transforma numa falha que também coloca o servidor sob suspeita e sem fundamento”.
A Folha não conseguiu contato com os demais servidores, ouvidos na condição de testemunha, ou seja, em tese, para prestar esclarecimentos ou relatar circunstâncistânciancias ocorridas.
O advogado de Ana Maria Caroto não foi localizado.

Fonte: Folha de São Paulo

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