Governo pretende expor privilégios da Previdência para ter o apoio da opinião pública

Estratégia, defendida por parlamentares, é usar as redes sociais

BRASÍLIA – O governo deve recorrer ao mesmo instrumento que fez diferença nas eleições para defender a reforma da Previdência: as redes sociais. A estratégia, defendida por parlamentares e técnicos que participam da elaboração da proposta, é expor o que consideram privilégios para convencer a opinião pública a apoiar a medida.

A deputada federal eleita Joice Hasselmann (PSL-SP), da base do governo, afirma que será preciso recorrer ao mesmo expediente da campanha eleitoral.

— Na Câmara, a gente vai ter que usar muito a tribuna, e também nossos meios de comunicação, nossas redes sociais, para mostrar ao povo a realidade. As redes sociais que foram responsáveis por toda a campanha do presidente Bolsonaro serão usadas também para explicar para a população quem é quem nesse bolo todo — disse a parlamentar.

No governo Temer, o lobby dos servidores contribuiu para que a reforma não passasse. Dentro da equipe econômica, a pressão da categoria é vista como mais forte do que a de sindicatos da iniciativa privada — em geral contrários à medida, mas com a diferença de que não atuam de dentro da máquina em Brasília.

A expectativa é a de uma batalha pelo apoio da população. Entidades de sindicatos ligados ao funcionalismo afirmam que a categoria já passou por três reformas nos últimos 20 anos: uma em 1998, outra em 2003 e a criação do fundo complementar em 2013. Por isso, mudanças mais drásticas agora seriam uma espécie de “reforma da reforma”.

— Temos servidores que já passaram por mais de três reformas e, agora, correm o risco de verem as regras mudarem de novo no final do segundo tempo — critica Petrus Elesbão, presidente do Sindilegis, que representa os servidores do Legislativo, que tem o maior déficit per capita.

Além da guerra midiática, o governo se prepara para uma batalha jurídica. Dentro da equipe econômica, um time jurídico elabora formas de evitar a judicialização. A expectativa, porém, é que, mesmo que a reforma passe no Congresso, a batalha no Supremo Tribunal Federal (STF) será muito provável.

Fonte: O Globo – Marcello Corrêa

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *