Servidora agiliza processos, diz empresário

Sócio de firma de contabilidade afirma que recorria a investigada para apressar a emissão de certidões do fisco
Ele alega, porém, que os pedidos foram “sempre dentro da legalidade”; marido da servidora nega a interferência

Empresa de contabilidade que pertence a José Carlos Cano Larios, 54, marido de uma das novas servidoras da Receita Federal investigadas pela violação do sigilo de tucanos, recorria à própria funcionária para “agilizar” processos dentro do órgão.
O empresário é marido de Ana Maria Caroto, que desde segunda-feira passou de testemunha a investigada pela corregedoria da Receita.
A revelação foi feita à Folha por Ilson Loureiro de Paula, sócio de Larios na Contábil Caroto Ltda e na Consultec, ambas em Mauá (SP), onde aconteceram as quebras de sigilo.
Ele disse que ligava para Ana Maria e pedia mais agilidade na tramitação de papéis de uma documentação chamada “breve relato da empresa”, que traz detalhes das obrigações com o fisco cumpridas ou não.
Ilson alega, porém, que seus pedidos foram “sempre dentro da legalidade”. Ele comanda a Consultec.
Por sua vez, o marido da servidora, à frente da Caroto, diz que jamais pediu qualquer favor a ela relacionado a processos tocados por seu escritório na Receita.
Segundo Ilson, a um custo de R$ 10, ele recebe um extrato que indica se apresentou declarações em dia ou se tem dívidas.
“Isso era mais fácil pelo fato de eu conhecer a Ana Maria”, diz Paula.
O presidente do Sindireceita, Hélio Bernardes, reprova a prática. “O ideal seria o escritório seguir o ritmo de qualquer contribuinte”.
Advogados de Mauá disseram à Folha que era “comum” buscar ajuda da Caroto para obter documentos na unidade do fisco em Mauá.
Segundo relato de um desses profissionais, como a mulher do dono do escritório trabalhava na Receita, o contador teria “facilidade” para conseguir declarações e documentos com agilidade.

Fonte: Folha de São Paulo – ANDRÉA MICHAEL e CLAUDIA ROLLI

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